A pintora Mi Castelani traz para a superfície o ambiente subterrâneo das estruturas originais e no-lo apresenta, com a humildade que a caracteriza, numa proposta aberta a discursos que não tem a possibilidade de interrupção pois que são projetados, num futuro todo repleto de situações inconscientemente ancestrais.
Para concluir, podemos dizer que a artista representa AD LITTERAM o mistério do nosso tempo que, com tanto cuidado, procura sair de um ritmo tradicional, usando o melhor do passado numa dimensão nova e atual, revelando o que foi e o que ainda deve ser.

Emanuel Von Lauenstein Massarani
(Diário Oficial do Estado de São Paulo - 05/11/2002)

 

Analisando sua telas, podemos notar os reflexos líquidos de suas temáticas, criando explosões que iluminam sua habilidade cromática.
Seus impulsos criativos são plenos de mistérios e desafios em que o óbvio parece que define com segurança imagens, matizes, mistérios de luz e composições repletas de sentimentos passionais.
Mi Castelani possui o poder da habilidade cromática, no uso refinado da luz e na profundidade artística necessária à evolução de seu talento.
Texto - livro BrasilArt - 2003

A cor como linguagem
A arte de Mi Castelani é marcada pelo visceral. Colorista nata oferece, em seus trabalhos, uma jornada em que o observador tem que dar a si mesmo a liberdade de ver. Seu interesse não está na representação, mas na interpretação, na forma como vê, pensa e recria o mundo. A busca da artista é pela essência. Isso significa um processo construtivo em que se vale, geralmente, de numerosas camadas, texturas e efeitos com verniz, entre outros, para atingir um resultado em que o principal está no exercício contínuo de uma comunhão com o observador. Seja em seus trabalhos abstratos ou naqueles em que foca animais ou visões poéticas do povo brasileiro, sua marca registrada é o contorno branco que ressalta as figuras. Ele surge como elo contínuo e vital que acompanha tudo o que existe no mundo e suas infinitas relações. A cor é a linguagem primordial da artista. É na forma como articula o jogo cromático que sua arte aparece como uma expressão plástica de um sentimento caracterizado pela consciência das aproximações possíveis entre o homem e a natureza por meio da essência energética e plástica. Perante uma pintura de Mi Castelani, não está em questão a simulação, mas sim a forma de transfiguração por meio de uma poética que tem como diferencial o trabalho com as tintas para consolidar um universo em que a cor predomina como linguagem e como declaração de amor à harmonia possível do mundo e dos seres que nele convivem.

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).